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sábado, 12 de dezembro de 2009

Ultraviolence;



Era uma moça bonita, agarrada a lápide. Se bem posso dizer, não estava agarrada. Debruçava-se sobre a mesma. A morte se apresenta para mim novamente, e novamente não tenho nada a contar a ela. Nenhuma mudança, nenhuma descoberta. O temor permanece constante, e não posso dizer que não a temo, porque tenho sim, medo de que ela chegue muito cedo. Mas em boa parte do tempo, não lembro que ela existe.

Vou parar, sim. Vou parar de escrever. Sobre a morte, ou sobre qualquer coisa que seja. Sinto que perdi a coerência. Oh, tão bela coerência que nos faz ganhar boas notas em trabalhos escolares! Aqui sou só eu, comigo mesmo. Sem coerência, sem pensar demais, sem me preocupar com acentos e capas. Nu. Sim, nu.

Eu não consigo parar. Milhares de coisas me vêm à cabeça e sinto que se parar e respirar, todas elas irão embora, junto ao gás carbônico que me passará pelas narinas.

Mas... Voltemos à moça, agarrada a lápide. Gostaria de saber quem a fez. Sim, quem a fez. Bela figura de mármore. Suas mãos quase acariciavam o defunto que deveria estar a alguns palmos de terra da mesma. E me pergunto para quê. Para que acariciar um corpo morto, se esse já não pode mais demonstrar o prazer que lhe é fornecido quando mãos quentes encostam-se a sua pele?

São crenças estúpidas. Estúpidas crenças humanas. Isso de ter um lugar onde todos os mortos ficam guardados. Isso de tomar remédios, porque já não se pode dormir devido à tristeza. Isso de crer na imortalidade.

Pobres. Pobres ignorantes que pensam que podem fazer a merda que quiserem, seu pai estará lá para salvá-los. O divino os deixou, infelizes! Sim, agora são órfãos de pai e não adianta vir com mais “... o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossas ofensas, assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido...” Não há pão. Não há perdão. Não existem ofensas. Não há porque agradecer há um senhor que não faz nada. Por ninguém. Sim, eu vou ao inferno! Sim, minha mãe é uma puta! Sim, eu sou bastardo! Viva, vamos orar por isso. Orar a minha alma. Orar aquilo que move essa merda de Terra. Aquilo que empurra, para que ela não pare de girar, e os dias, e as noites, e os meses, e a vida. Para que tudo isso não pare de girar.

Assim como os cânceres. Que giram em torno de si mesmo, para que possam crescer, e aumentar seu legado... De destruição. Self destruction. Algo que eu chamaria de ultraviolence.


4 comentários:

Sol disse...

Você coloca as palavras com uma naturalidade incrível. Perfeito.

Não importa. disse...

Nada de complicações. É claro e nada difícil de entender. Gostei.

Overdose M. disse...

Se não fosse tão fodidamente curioso, acho que gostaria mais de mistérios.

Lacey disse...

Isso me lembra uma música que eu amava. Enfim. Muito construtivo e inteligente. Sem dúvida.